23 de outubro de 2019

NÃO TENHA MEDO DO ARROZ



Olá pessoal!

Tenho certeza que muita gente gostará do assunto de hoje: ARROZ!

O arroz é um cereal muito típico da nossa culinária. Muitas pessoas tem receio de consumi-lo, por medo de engordar. Mas com bom senso, sem exagerar na quantidade e fazendo uma boa escolha, ele pode fazer parte de uma dieta saudável e gostosa. Vamos conhecer os tipos de arroz que temos hoje no mercado e suas propriedades:

Arroz branco ou polido ou agulha: é o arroz mais comum. Fonte de carboidratos e aminoácidos essenciais. Não é um dos tipos mais nutritivos de arroz, pois devido à retirada das camadas externas possui menor quantidade de vitaminas e minerais. Mesmo sem as camadas onde se encontram a maior concentração de nutrientes, o arroz polido conserva algumas proteínas e vitaminas (complexo B) porque as mantém no endosperma. Mas sua maior fonte é de carboidrato, especificamente o amido, que faz deste alimento uma grande fonte de energia.

Arroz parboilizado: contém as mesmas propriedades do arroz branco, mas com um teor maior de vitaminas e minerais, porque passa por um tratamento hidrotérmico (é submetido à pressão com água fervente antes do beneficiamento), que cozinha parcialmente o grão com a casca, isso faz com o os nutrientes (vitaminas e minerais) migrem para o interior do grão, aumentado o valor nutritivo, concentrando, por exemplo, as vitaminas do complexo B.

Arroz integral: é o arroz que mantém a camada externa do grão, conservando suas principais propriedades. Rico em carboidratos, proteínas, vitaminas do complexo B, vitamina E, vitamina A, ferro, magnésio, fósforo, cálcio, manganês e fibras. É o grão que se remove apenas a casca.
Arroz cateto ou japonês: são grãos curtos, curvados, que tem grande quantidade de amido, a sua versão integral conserva as mesmas propriedades citadas acima. Usado na culinária japonesa e bom para fazer doces a base arroz.

Arroz selvagem: Ele na verdade não é um arroz verdadeiro, é uma gramínea aquática de longas sementes escuras. É uma boa fonte de minerais, entre eles potássio e fósforo, e de vitaminas do complexo B: B1(tiamina), B2(riboflavina), e B3(niacina). Apresenta menor quantidade de amido e lipídeos, e maior conteúdo de um aminoácido chamado lisina. Tem baixo índice glicêmico.

Arroz vermelho: rico em fibras, compostos fenólicos, vitaminas do complexo B, ferro e zinco. Tem um poder antioxidante importante.

Arroz malekizado: é o grão com a casca, macerado em água fria por três dias e submetido a vapor à alta temperatura. Posteriormente é desidratado e descascado e são retirados a cutícula e o germe. Nesse processo ocorre a transferência dos produtos da cutícula para o interior do grão, preservando os nutrientes, que serão os mesmos do arroz polido.

Arroz arbóreo: é uma variedade de arroz italiano com grãos grossos, redondos e brancos. Tradicionalmente usado no preparo de risotos. Possui as mesmas propriedades do arroz polido.
Arroz negro: contém mais proteínas, mais fibras do que o arroz integral. É rico em ferro e compostos fenólicos que são antioxidantes.

O arroz é o principal alimento de quase metade da população mundial. Ele é uma excelente fonte de carboidratos, a sua versão integral pode agregar muitos nutrientes (vitaminas, minerais e fibras) e compostos bioativos que auxiliam o funcionamento do intestino, ajudam a reduzir o colesterol e controlam a velocidade que a glicose gerada pelo carboidrato vai para o sangue. Além disso, quase todas as variedades de arroz (exceto os que são polidos) contém uma quantidade muito boa de fibras, entre elas: celulose, hemicelulose, pectina, alginato, mucilagem, lignina e amido. As fibras são excelentes não só para o funcionamento do intestino, mas também para prevenção de alguns tipos de câncer, como o gástrico e o de cólon. O arroz não tem glúten e por isso é uma boa opção para os celíacos ou intolerantes ao glúten. Quando consumido junto com grãos fornece uma quantidade excelente de aminoácidos, sendo importante, por exemplo, para os vegetarianos e veganos.

A quantidade de arroz ideal é individual, pois ela depende de muitos fatores, tais como: problemas de saúde, objetivos em relação à composição corporal, atividade física, cultura, hábitos alimentares, etc.

A única restrição efetiva para o consumo do arroz é para quem é alérgico ao mesmo. Em dietas de restrição de carboidratos ele deve ser evitado ou consumido em doses de acordo com a estratégia elaborada pelo nutricionista.

A melhor forma de preparação é a tradicional: refogar os temperos (alho e cebola, por exemplo), adicionar o arroz e posteriormente a água. Para o arroz branco 2 xícaras de água para 1 de arroz. Já o integral demora mais para cozinhar e devemos colocar a proporção de 3 xícaras de água para cada xícara de arroz.

As preparações salgadas que podem levar o arroz na sua composição são diversas: arroz refogado, arroz a grega, sopas, risotos, bolinhos, tortas.

Entre os doces que podem ser preparados com o arroz, encontramos: arroz doce, mingaus, doces orientais, sua farinha pode ser utilizada para fazer bolos e vitaminas. O cereal também pode ser utilizado para fazer bebidas como as aguardentes de saquês.

E para incentivar você a colocar esse cereal no prato de forma nutritiva, deixarei uma receitinha bem gostosa:

ARROZ COLORIDO
Ingredientes:
- 1 col. sopa de azeite de oliva extra virgem
- 2 dentes de alho picados
- 1 cebola picada
- 1 xícara de arroz cateto integral
- 3 xícaras de água
- sal a gosto
- 1 colher de sobremesa de cúrcuma
- 1 cenoura ralada
- 1 abobrinha ralada
- ½ xícara de chá de salsinha e cebolinha picadas.

Preparo: refogue a cebola e o alho no azeite até dourar, acrescente o arroz e misture. Adicione a água e quando ferver adicione o sal e a cúrcuma. Abaixe o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar por aproximadamente 30 minutos ou até o arroz estar bem cozido, acrescentando água se for necessário. Em outra panela refogue a cenoura e a abobrinha com um pouco de azeite até ficarem al dente. Misture a salsinha e a cebolinha. Misture os legumes com o arroz e sirva. Rendimento: 4 porções.

É importante sempre que possível escolher as versões integrais deste alimento, para que todos os nutrientes que trazem benefícios para a nossa saúde sejam consumidos.

Um abraço e até a próxima!

28 de março de 2019

COMO ANDA O SEU INTESTINO? A SUA SAÚDE DEPENDE DELE!





O cuidado com a nossa saúde envolve o equilíbrio do organismo como um todo, e para isso muitos fatores estão envolvidos, entre eles: saúde física, qualidade de vida, saúde emocional e fornecimento adequado de nutrientes e fitoquímicos. Mas hoje vou focar em um órgão fundamental para a nossa saúde plena: o Intestino!

O nosso intestino é tão importante que está ligado inclusive ao nosso sistema emocional, ambos caminham juntos, um depende do outro! No intestino há a maior produção do neurotransmissor responsável pelo nosso bem estar, a tão famosa serotonina, e esta também é responsável pela motilidade intestinal, ela controla a contração gastrointestinal. Ou seja, um está relacionado ao outro.

O fornecimento adequado de nutrientes depende de um intestino saudável, pois se há alteração das vilosidades e da permeabilidade intestinal, há uma baixa absorção de nutrientes. Para as pessoas que praticam exercícios físicos isso é mais importante ainda, pois os exercícios geram naturalmente um aumento do estresse oxidativo e os nutrientes antioxidantes são necessários para modular essa adaptação do organismo, se o intestino está alterado, essa recuperação não ocorre adequadamente.

É no nosso intestino que absorvemos os nutrientes, as células do intestino chamadas enterócitos são responsáveis por 90% dessa absorção. A permeabilidade intestinal alterada causa baixa absorção desses nutrientes, principalmente dos minerais. Essa baixa absorção faz com que falte nutrientes para as funções fisiológicas. Muitas patologias estão envolvidas com o nosso intestino, como por exemplo, no caso das doenças auto-imunes, os pacientes sempre tem um nível de hiperpermeabilidade intestinal. Vou explicar isso um pouco melhor.

A microbiota é o conjunto de microorganismos ao longo do trato gastrointestinal e ela começa a ser formada na gestação, onde há transferência bacteriana dentro do útero. A diversidade da microbiota é formada até os 3 anos de idade. Por isso é preciso cuidar muito bem do intestino da gestante desde o início da gestação. A amamentação também é fundamental para perpetuar essa diversidade microbiana, tanto através do leite materno quanto pelo contato do bebê com a pele da mãe. A nossa microbiota intestinal tem inúmeras funções: participa do metabolismo, digestão e absorção de nutrientes, metabolismo de drogas e toxinas, síntese de nutrientes (como a vitamina K, colina, ácidos graxos), proteção contra patógenos, estimula o sistema imune, mantém a integridade das células epiteliais e regula o estresse oxidativo.

Recebo muitos pacientes com problemas intestinais, principalmente a constipação, a qual tem causas multifatoriais: pode ser falta de fibras, sedentarismo, hidratação ruim, anatomia do intestino, entre outros fatores. Para o tratamento adequado deve-se considerar todos eles. Há também aqueles pacientes que tem intestino muito solto, o que também não é saudável e pode estar relacionado com intolerâncias alimentares, por exemplo.

No nosso intestino temos uma mucosa que funciona como barreira física e ela é formada por muitas células, cada uma com uma função. Essas células associadas ao muco protetor é que formam a nossa barreira intestinal, a qual tem que estar em equilíbrio para manter a integridade desta mucosa, isto inclui também a nossa microbiota, que são a bactérias que vivem no nosso intestino. Para um intestino ser considerado saudável, não basta funcionar todos os dias, ele precisa ter produção adequada de muco (que é onde as bactérias boas se alojam), microbiota equilibrada e mucosa íntegra. Essa mucosa intestinal é como se fosse uma barreira entre o nosso organismo o o meio externo, é ela que vai decidir quem entra e quem sai.

Existem células específicas do intestino que produzem substâncias antimicrobianas que controlam o crescimento de bactérias patogênicas, ou seja, impedem o seu super crescimento, para isso o intestino tem que estar saudável. Quando o intestino está alterado e a pessoa tem constipação, o trânsito intestinal é mais lento, com isso, substâncias que deveriam ser eliminadas nas fezes ficam mais tempo paradas (toxinas, hormônios, resíduos alimentares) sendo fermentadas pelas bactérias patogênicas, essas substâncias servem de substrato energético para o super crescimento dessas bactérias.

Um intestino saudável têm suas células que formam a mucosa todas unidas, quando há enfraquecimento dessa união, chamamos de hiperpermeabilidade. Com esse quadro instalado há passagem de substâncias e macromoléculas potencialmente tóxicas como: toxinas, proteínas mal digeridas, contaminantes alimentares, aditivos químicos, etc. Com o aumento da absorção dessas substâncias o sistema imunológico é acionado, gerando inflamação e possivelmente doenças auto-imunes por inflamação crônica, se o quadro não for revertido.

Os aditivos químicos presentes em produtos industrializados são os principais responsáveis por causar esse enfraquecimento na união das células intestinais. Quando associados a sacarose (açúcar), é ainda pior, pois o açúcar é o principal alimento das bactérias ruins presentes no nosso intestino. Com o supercrescimento dessas bactérias temos o que chamamos de disbiose. A disbiose é o desequilíbrio entre as bactérias boas e ruins do intestino, associada a uma alteração da mucosa intestinal, causando má absorção de nutrientes. Ela é influenciada por estresse mental, emocional, físico, uso de medicamentos e alimentação. Com a má absorção de nutrientes e a absorção de substâncias nocivas há um estímulo inflamatório e imunológico. Fatores independentes da dieta podem contribuir com a disbiose.

A disbiose é um estado em que microorganismos de baixa virulência se tornam patogênicos em virtude do desequilíbrio quantitativo instalado, afetando negativamente a saúde do ser humano. Ou seja, microorganismos que habitam nosso corpo, começam a crescer. Ela é causada por diversos fatores, entre eles: dieta desequilibrada (pobre em fibras e rica em aditivos químicos), problemas digestivos, intestino preso, estresse e uso abusivo de medicamentos.

As bebidas alcoólicas também prejudicam nosso intestino. O consumo excessivo de álcool está associado a mudança qualitativa e quantitativa na microbiota intestinal podendo gerar inflamação na mucosa, hiperpermeabilidade intestinal, inflamação sistêmica e danos hepáticos, incluindo a esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado). Essa esteatose hepática tem relação intensa com disbiose, pois as toxinas vão para o fígado que sobrecarregado tem dificuldade na metabolização de gorduras, contribuindo para o aumento do acúmulo de gordura no mesmo. Além disso, uma dieta excessiva em proteínas e gorduras gera disbiose e aumento da permeabilidade intestinal.

Há uma comunicação direta entre o intestino e cérebro e uma interligação com a microbiota intestinal. A disbiose e a hiperpermeabilidade (já explicadas anteriormente), aumentam a absorção de substâncias tóxicas que desencadeiam reações imunológicas, aumentando a produção de citocinas inflamatórias, as quais podem interferir na função cerebral e produção de neurotransmissores e hormônios ligados ao comportamento, que são modulados pelo intestino. A disbiose pode gerar desequilíbrio comportamental, pode influenciar diretamente nas emoções, no comportamento alimentar gerando compulsão, depressão, ansiedade e hiperatividade. Os pacientes constipados apresentam, por exemplo, níveis reduzidos de serotonina. A produção da serotonina é dependente de uma microbiota intestinal saudável.

Pode ocorrer um ciclo vicioso: os aditivos químicos reduzem a ligação entre as células intestinais, causando aumento da permeabilidade intestinal, a qual leva a disbiose. Com isso há aumento da absorção de LPS (fragmentos de bactérias), os quais causam inflamação intestinal, alterando a estrutura das células, aumentado ainda mais a permeabilidade intestinal, permitindo a passagem desses LPS para a corrente sanguínea, levando a uma inflamação sistêmica de baixo grau, a qual não consegue ser detectada por exames.

Vamos entender melhor: em um indivíduo saudável a sua microbiota é composta por bactérias nativas: gram positivas (bactérias boas) e gram negativas (bactérias patogênicas). Na ocorrência de fatores externos, como, alimentação rica em aditivos, gorduras saturadas, açúcar, medicamentos, estresse, pode ocorrer um desequilíbrio, onde há redução do crescimento das bactérias gram positivas e aumento do das gram negativas. Isso leva a uma redução da produção de ácidos graxos de cadeia curta, principalmente butirato, reduzindo assim a fonte de energia para as células intestinais, as quais não conseguem se regenerar, ficam lesionadas. Com o aumento das bactérias gram negativas, há aumento dos LPS (já explicado anteriormente), aumentando a inflamação intestinal. Se esse quadro se perpetuar há destruição da estrutura celular intestinal e absorção de LPS, toxinas e macromoléculas, gerando um quadro chamado de endotoxemia metabólica com inflamação sistêmica.

Um intestino íntegro ajuda inclusive da desintoxicação, pois a toxina não precisa chegar no fígado para ser eliminada, ela vai ser excretada pelo próprio intestino.

Essa alteração da permeabilidade intestinal pode estar relacionada com diversas doenças e sintomas como: atrite, rosácea, lupus, hashimoto, esteatose hepática, alergias e intolerâncias, doença celíaca, chron, acne, síndrome do intestino irritável, colite, déficit de atenção, hiperatividade, fadiga crônica, doenças auto-imunes.

A mastigação é uma causadora de disbiose e permeabilidade intestinal alterada importante, principalmente quando falamos de proteínas. As proteínas são um aglomerado de aminoácidos que precisam ser degradados para serem absorvidos. Quando não mastigamos adequadamente, há redução da secreção salivar, das enzimas e ácidos necessários para a digestão, prejudicando o processo da mesma. Em vez de chegar aminoácidos isolados, chegarão macromoléculas mal digeridas, as quais o intestino não consegue absorver. Essas macromoléculas irritam a mucosa, causando hiperpermeabilidade, e com isso conseguem ir para a corrente sanguínea na forma de proteínas. O sistema imunológico diante disso, entende que há um antígeno e passa a produzir mais anticorpos, aumentando o risco de alergias e doenças auto-imunes. Em uma pessoa inflamada, com disbiose e alimentação ruim, esse quadro se agrava.

A deficiência de zinco também causa má digestão de proteínas, e as principais fontes de zinco são exatamente as proteínas animais, que são aquelas que a a pessoa que tem deficiência de zinco não digere direto, principalmente se não mastiga!!

Os líquidos junto com as refeições também contribuem para uma má digestão. Quanto mais líquidos, maior tem que ser a produção de ácido e os indivíduos com disbiose já produzem menos ácido clorídrico. O líquido junto com a refeição dilui o suco digestivo, aumentado o PH intestinal, fazendo com que os alimentos sejam mal digeridos, gerando macromoléculas que agridem a mucosa causando hiperpermebilidade.

Os antibióticos são indutores de disbiose. Toda pessoa que toma antibiótico tem algum grau de disbiose e tem que tratar esse intestino. A inflamação, o uso de antibióticos e padrões alimentares (alto consumo de industrializados, gordura trans, gordura saturada, baixo consumo de fibras e fitoquímicos) afetam a microbiota de maneira independente.
Para recuperação dessas células o tratamento nutricional é fundamental, e deve incluir a suplementação de glutamina, ômega 3 e vitamina D. Os probióticos irão colonizar temporariamente o intestino e os prébioticos servirão para estimular o crescimento das bactérias nativas.

Fazer a dieta de segunda a sexta-feira e não se preocupar com alimentação equilibrada no final de semana, prejudica o tratamento da disbiose. Não adianta ficar alternando padrão alimentar, isso só piora o quadro. Sabe aquela mania de fazer a dieta certinha durante a semana e no final de semana esquecer que ela existe e comer tudo errado? Isso prejudica do seu intestino!! Segundo alguns estudos, é necessário 1 ano de dieta equilibrada e adequada para corrigir a microbiota intestinal!

Diante de tudo isso posso dizer que a principal fonte de ajuda para o intestino vem diretamente da alimentação, a qual será suprimento para nossa microbiota se manter saudável. A alimentação adequada ajuda no crescimento das boas bactérias, assim como uma alimentação errada será fonte de energia para as bactérias patogênicas, as quais também habitam o nosso intestino. Algumas vezes só alimentação não basta, uma suplementação com probióticos, prébioticos, antioxidantes, enzimas, vitaminas e minerais se faz necessária.

Por todas essas informações citadas neste post é que reforço a importância de uma consulta com nutricionista, para que sua alimentação e suplementação estejam alinhadas com a saúde do seu intestino!!

Um abraço e até a próxima!

14 de junho de 2018

VAMOS CONVERSAR SOBRE EMAGRECIMENTO

Olá Pessoal!!




A grande maioria das pessoas que me procuram querem um único objetivo: Emagrecer! Diante disso, resolvi escrever um pouco sobre o que leio, estudo e penso sobre o assunto.

Historicamente as pessoas comem por diversas outras razões que não são as necessidades biológicas. Comida também é prazer, comemoração com os amigos, com a família, tem haver até mesmo com espiritualidade. É cultura e diversão. O prazer de comer é um dos mais essenciais da vida, compartilhar a comida é uma das felicidades do ser humano.

Em diversos momentos comemos sem perceber o que estamos colocando na boca, não prestamos atenção às nossas sensações de fome real e saciedade (aquela hora que devemos parar de comer). Comer muitas vezes é um gesto automático, sem aproveitamento do momento, e muito menos nutrição do organismo. Não damos valor a qualidade do que comemos. Assim que terminamos de comer, não lembramos do gosto que o alimento tinha. Se você se identificou continue a leitura!!

Comer corretamente é comer quando se tem fome e parar quando ficar satisfeito, fazendo boas escolhas (em relação a qualidade e também ao que gostamos de comer). Dar mais atenção ao sabor, à textura dos alimentos, a fome real e a saciedade são atitudes que podem ajudar a alcançar a um peso saudável. Desenvolver a capacidade de comer  quando está com fome e parar quando está satisfeito, reconhecer a fome inicial e reagir de acordo com ela ajuda a normalizar o peso sem sacrifício.

A alimentação é mais do que a simples ingestão de nutrientes. Ela vai além. Ela contempla os alimentos que contém esses nutrientes, que combinados entre si, respeitando o preparo, a cultura e as práticas alimentares, nos alimentam e nos nutrem.

A prática de comer consciente pode ajudar a reconectar o corpo com a mente, pode ajudar a evitar nossas reações ao estresse relacionadas com a comida. É importante estar plenamente consciente do que está acontecendo conosco, ao nosso redor. Quando não prestamos atenção ao que estamos comendo, às refeições, o nosso corpo fica com a "sensação" de que não se alimentou de forma suficiente. Temos que ter a consciência do que comemos e valorizar o ato de comer, não só para nutrir o nosso corpo, mas também para ajudar a nossa saúde.

Até o nosso DNA se expressa de acordo com nossa alimentação. Eles estão silenciados ou ativos em função do que comemos. Muitos fatores influenciam a expressão dos genes (ambiente, estresse, sono, medicamentos) mas a alimentação é o fator de maior peso. Não somos todos iguais quando se trata de perder peso, cada um tem seu ritmo, seus genes. Não é simplesmente fechar a boca e fazer exercícios. Não é só questão de força de vontade, é muito mais amplo, é muito mais!

A digestão é fundamental, isto não é segredo. Ela envolve uma complexa série de sinais hormonais entre o intestino e o sistema nervoso. Sem uma boa digestão perdemos uma parte do valor nutritivo dos alimentos. Há estudos mostrando que quando comemos distraídos atrapalhamos a digestão. A mastigação é uma grande aliada. Mastigar devagar, saboreando a refeição, nos faz sentir a saciedade chegar mais rápido e sair da mesa satisfeito com uma menor quantidade de alimentos, sem exageros. Além disso, mastigar bem, manda mensagens para o cérebro, o qual envia sinais ao nosso sistema digestivo para que inicie a digestão do que está por vir.

Quando nos concentramos no que estamos comendo e nas sensações de fome e saciedade, melhoramos nossos hábitos alimentares e nosso estilo de vida. Comer devagar o alimento que gostamos (até aqueles que "teoricamente" não entram nas dietas), saboreando, sem estresse, sem culpa, faz com que comemos quantidades menores e ficamos satisfeitos com menos do que comeríamos antes (rapidamente, no automático).

A única forma de evitar o sobrepeso é comendo! Comendo com qualidade, de forma simples e gostosa. Caprichar no preparo, voltar a cozinhar! E sempre que possível, comer em família. Comer junto com a família, promove comportamentos alimentares positivos e bem estar. Claro que a família toda tem que estar alinhada a um hábito mais saudável. Na correria dos dias de hoje é difícil fazer as refeições em casa, mas se conseguirmos fazer pelo menos uma, já ajuda muito! Foque no que comer e não no que não comer!

Para perder peso de forma concreta não pode haver pressa. Forçar o corpo a perder peso de forma rápida, com restrições muito provavelmente trará o famoso "efeito sanfona". Focar na saúde e no estilo de vida mais saudável é a melhor forma de perder peso com tranquilidade. Perde peso é consequência de uma saúde equilibrada, o peso não é a causa dos problemas, e sim a consequência deles. O ganho de peso está relacionado ao desequilíbrio de vida, seja no campo emocional, profissional, pessoal, etc. Concentre-se na saúde, não no peso. Se a perda de peso vier como consequência de atitudes mais saudáveis, estamos no caminho certo.

O mundo evoluiu muito, mas talvez a nossa genética nem tanto. O nosso metabolismo foi criado há milhares de anos, quando a falta de comida era rotina e a busca por ela uma atividade constante. Nessa época, sobreviveria quem tinha mais gordura estocada, para ser utilizada como fonte de energia no momento de escassez. E hoje? Será que sofremos com falta de comida? Claro, que não! Temos oferta a cada esquina. Mas o nosso metabolismo continua o mesmo, o nosso cérebro ainda enxerga a gordura como proteção. O nosso cérebro controla tudo: emoções, fome, saciedade, sentimentos. O cérebro indiretamente controla nosso peso. O raciocínio deveria se muito simples: os alimentos que vieram da natureza (comida de verdade), os quais foram feitos para nós, para nos alimentar, não deveriam trazer essa preocupação que "engordam", por que se está com fome, coma! Se está sem fome, pare de comer! Simples assim. Mas não é o que fazemos. A comida, muitas vezes serve de fuga, e em sua maioria, de má qualidade.

Repetindo: 0 nosso cérebro controla tudo! O emocional é muito importante, principalmente quando estamos falando de ganho ou perda de peso. Tudo deve ser avaliado: a parte clínica, histórico de vida e saúde, comportamento e emoção! Porque nós somos um complexo, um todo, e não partes segmentadas.

O sobrepeso e a obesidade são complexos, eles não ocorrem por um único motivo, são multifatoriais. Deve-se considerar, em um tratamento, os aspectos clínicos, endócrinos, emocionais, socioculturais, genética e outros fatores que vão desde a microbiota intestinal até o uso de medicamentos.

Apostar em dietas restritivas como tratamento vem demonstrando ao longo dos anos ser uma estratégia que não promove a melhora consistente e duradoura na redução do peso e na mudança de comportamento relacionado à saúde. Por isso o acompanhamento nutricional deve ser feito de forma abrangente, não focando no peso e sim na mudança de hábitos. As estratégias devem ser definidas de forma que o indivíduo sinta-se compreendido e acolhido. Esse é o papel que só um nutricionista é capaz de fazer adequadamente.

O nutricionista deve realizar um atendimento individualizado que considere, além das interações bioquímicas de cada paciente, todo o contexto psicológico em que a pessoa se encontra. O atendimento deve ser voltado para alcançar os resultados com as estratégias nutricionais de acordo com as condições que o paciente tem de realizar as mudanças no momento. O nutricionista tem que compreender as dificuldades e limitações de cada um, sempre respeitando o MOMENTO vivido. Dificilmente outro profissional (o qual não está capacitado) conseguirá fazer isso de forma tão abrangente.

Existem várias estratégias que podem promover resultados positivos no emagrecimento, através de modulação dos desequilíbrios funcionais e ativação de componentes moleculares que envolvem o ganho de peso. O indivíduo que busca um tratamento nutricional deve estar ciente de que as mudanças no seu estilo de vida, conscientização da educação nutricional e automonitoramento é de responsabilidade sua! Cada um é responsável por suas próprias escolhas no que diz respeito aos seus hábitos alimentares e de saúde. O profissional está apto a orientar, motivar e ajudar, mas que faz, quem executa e escolhe é o paciente!

As escolhas alimentares devem ser feitas a partir de um equilíbrio entre o desejo, apetite e adequação alimentar. O comportamento é o ator principal, o que vai ganhar o Oscar nesta busca por saúde e peso saudável!

Um abraço e até a próxima!


FONTE: Naves, Andréia. Nutrição Clínica Funcional: obesidade, 2014. Deram, Sophie. O peso das dietas, 2014. Alvarenga, Marle...et al. Nutrição comportamental, 2015.

5 de fevereiro de 2018

SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO E ALIMENTAÇÃO



A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é a alteração endócrina e disfunção ovariana mais comum em mulheres antes da menopausa e atualmente já está bem estabelecido que a prevalência de resistência à insulina e hiperinsulinemia é maior nessas pacientes. A obesidade também está relacionada com essa síndrome. Ela ocorre quando os ovários possuem muitos cistos pequenos, alguns contém óvulos inativos e outros podem secretar hormônios. As principais características da SOP são a ausência de menstruação (por pelo menos 3 meses) e o excesso de hormônios masculinos.

É uma síndrome heterogênea caracterizada por oligovulação ou anovulação, sinais clínicos ou bioquimicos de hiperandrogenismo e anormalidades na morfologia ou no tamanho dos ovários. A expressão clínica da doença é determinada por fatores genéticos e ambientais. As principais anormalidades metabólicas envolvidas na SOP são: hipertensão arterial, dislipidemia, estado pró-trombótico e pró-inflamatório, obesidade, hiperinsulinemia e resistência a insulina.

Devido a alteração na produção de andrógenos, mulheres com SOP possuem risco aumentado de desenvolver diabetes mellitus, doenças cardiovasculares e carcinoma endometrial.

As concentrações séricas de testosterona e androstenediona em mulheres com SOP chegam a ficar 50% a 150% maiores quando comparadas a mulheres sem a síndrome. A produção excessiva de testosterona leva a alterações no ciclo menstrual, pelos na face e acne.

Diveros fatores estão relacionados ao desenvolvimento de SOP, entre eles: idade, peso, poluentes ambientais, estresse e dieta.

As mulheres com SOP, estejam no peso adequado ou não, são mais resistentes a insulina do que as que não possuem a síndrome. A localização da gordura corporal parece ter papel importante , visto que a maioria das mulheres com SOP possuem maior concentração de gordura visceral. A resistência a insulina é a principal característica de mulheres com SOP. Segundo os estudos a resistência a insulina possui relação nas anormalidades reprodutivas características dessa síndrome. Tem-se observado correlação positiva entre os níveis de androgênios e insulina. O aumento da insulina tem efeito direto sobre a produção de hormônios sexuais, pode aumentar a secreção de LH pela hipófise, causando diminuição dos níveis de SHBG e aumento da testosterona e DHEA.

Parece que o prejuízo na utilização da glicose na SOP é resultado da combinação entre um defeito na resposta da insulina nos tecidos sensíveis a ela e uma resposta inapropriada da célula beta no aumento da demanda. Assim, a função da célula beta pancreática fica significativamente reduzida. Os mecanismos moleculares pelo qual a resistência a insulina ocorre em mulheres com SOP também estão relacionados a uma ativação de enzimas no receptor de insulina, levando a alterações da mesma.  O aumento da insulina está relacionada ao hiperandrogenismo por estimular a produção de andrógenos ovarianos e reduzir a sínstese de SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais) no fígado, aumentando a testosterona livre circulante,  a qual é responsável pelo aparecimento de acne e pelos no rosto.

A SOP é um dos exemplos em que parece que a hiperinsulinemia compensatória (secundária à resistência à insulina em músculo e tecido adiposo) agiria em outros tecidos, incluindo o ovário. O excesso de insulina pode estar envolvido com o aumento do hormônio luteinizante (LH), levando ao aumento do tamanho do ovário, que irá gerar maior produção de andrógenos. Além disso, a insulina, por meio de seus próprios receptores e dos receptores da IGF1 (fator de crescimento) tem ação sinérgica ao LH no estímulo da produção ovariana de andrógenos em mulheres com SOP.

O excesso de LH (que pode estar aumentado por aumento da insulina ou por excesso de gordura corporal) faz com que o ovário aumente a produção de androgênios, ocasionando a diminuição da captação de glicose pela musculatura esquelética e resistência a insulina.

As pacientes com síndrome do ovário policístico que desenvolvem obesidade apresentam complicações no quadro clínico, isso ocorre porque o excesso de peso, entre outras alterações, pode desencadear a hiperinsulinemia compensatória, que pode levar ao desenvolvimento de doenças ou alterações metabólicas como a infertilidade, hiperandrogenismo, hirsutismo, doenças cardiovasculares e diabetes.

A principal consequência da SOP é a infertilidade. Sugere-se que a infertilidade é causada por um avanço prematuro na maturação dos folículos, ocasionando a diminuição do seu crescimento e refletindo em alterações hormonais. As células granulosas desses pequenos folículos maturados adquirem responsividade ao LH (hormônio luteinizante) produzindo níveis inadequados de estradiol e progesterona para seu tamanho. Há uma supressão dos níveis de FSH (hormônio estimulante folicular) endógeno que impede a maturação dos folículos pequenos e saudáveis, desencadeando a SOP. A hiperinsulinemia é determinante, pois a resposta esteroidogênica da célula granulosa ao LH é aumentada na presença de insulina, sendo um fator chave na causa da diferenciação prematura e avançada de célula granulosa.

A SOP pode ser tratada com mudanças no estilo de vida associadas ou não a um tratamento medicamentoso. A perda de peso feita através de uma dieta equilibrada e atividade física já melhora o perfil lipídico, redução dos níveis de androgênios circulantes, aumento da fertilidade e menores taxas de aborto espontâneo.

A redução do peso corporal pode alterar positivamente a sensibilidade à insulina, tendo em vista o papel da resistência a insulina na fisiopatologia da SOP, esta melhora pode ser uma fator determinante na redução dos sintomas.
O tratamento nutricional de pacientes com SOP deve focar o reestabelecimento de todos os desequilíbrios funcionais envolvidos na síndrome.
O desequilíbrio nos níveis de hormônios sexuais sofre influência de fatores nutricionais como: ingestão de bebidas alcóolicas e exposição aos disruptores endócrinos (por exemplo o Bisfenol dos potes plásticos).

Estudos revelam que a restrição energética crônica (dietas muito restritivas a longo prazo) pode afetar os níveis de hormônios sexuais. A baixa ingestão energética reduz os níveis circulantes de hormônios gonadotróficos (LH e FSH) e a concentração de estrogênio, levando a uma alteração do ciclo menstrual.
O consumo de leite de vaca pode expor os indivíduos a níveis altos de estrogênio exógeno, que podem levar ao aumento do desenvolvimento de doenças associadas a excesso de estrogênio como obesidade e alterações hormonais.

Uma dieta pobre em fibras pode comprometer a saúde gastrointestinal potencializando a ação de enzimas produzidas pelas bactérias intestinais, o que levará ao aumento da reabsorção dos hormônios esteróides.

A ingestão de alcóol pode comprometer a metabolização e conjugação hepática dos esteróides. Estudos mostram que o consumo crônico de bebida alcoólica pode alterar o balanço hormonal, reduzindo os níveis séricos de testosterona e aumentando os níveis séricos de estrogênio. Essa ingestão altera o metabolismo hepático dos esteróides sexuais por alterar enzimas importantes envolvidas com a homeostase hormonal. Em mulheres pode causar alterações do ciclo menstrual, anovulação e disfunção da fase lútea. Podem apresentar menopausa precoce, infertilidade e redução na liberação de FSH e LH ocasionada pelo aumento do estrogênio.

A exposição tóxica aos disruptores endócrinos de hormônios sexuais presentes no ambiente, na água, no solo, nos utensílios, nas embalagens e nos alimentos pode mimetizar ou interferir na produção, liberação, transporte, metabolismo, ligação ao receptor, ação ou eliminação de esteróides sexuais, ocasionando diversas desordens relacionadas com o sistema reprodutivo. Pode inclusive aumentar o risco de desenvolvimento de SOP. Desta forma, minimizar a exposição tóxica e potencializar a destoxificação é uma estratégia interessante para o equilíbrio hormonal.

Dietas hiperproteicas em mulheres pode estimular a produção de testosterona e ser prejudicial para aquelas com suscetibilidade para o desenvolvimento de SOP. Porém,  em mulheres com SOP, a ingestão de proteínas e a restrição de carboidratos de alto índice glicêmico pode ser benéfica para redução do peso corporal e consequentemente melhora das alterações associadas com a síndrome.

Uma dieta inflamatória rica em gordura saturada e carboidratos de alto índice glicêmico leva a diversos desequilíbrios no controle de fome-saciedade, que são antecedentes para hiperinsulinemia e resistência a insulina. Mulheres com SOP que realizam esse tipo de dieta se tornarão obesas com maior facilidade, o que contribuirá para as complicações relacionada a fisiopatologia da SOP. Portanto uma dieta anti-inflamatória (composta por vegetais, gorduras boas e antioxidantes) deve fazer parte do tratamento.

Estudos demonstram que uma dieta pobre em gorduras e rica em fibras pode ter efeito na modulação dos níveis de testosterona em pacientes com SOP, devido ao efeito na eliminação de esteroides pela melhora da microbiota intestinal.  As fibras podem modular a circulação enterohepática dos estrogênios promovendo sua excreção ou tornando-o menos disponível para reabsorção.

Um estudo feito em 2010 demonstrou que o consumo de 2 xícaras ao dia de chá de hortelã, durante um mês, promoveu efeitos antiandrogênicos devido a redução dos níveis de testosterona, em mulheres com SOP. Além disso, esse chá possui propriedades no tratamento do hirsurtismo (crescimento de pelos).

O tratamento da resistência a insulina caminha junto com o da SOP. Vamos ver agora, alguns moduladores nutricionais envolvidos na ação da insulina.

Os ácidos graxos podem modular a ação da insulina, sendo que cada ácido graxo pode ter uma ação diferente. O consumo de ácidos graxos saturados em excesso é um fator de risco, ou seja, não recomendado. Eles devem ser consumidos em pequena quantidade e substituídos por ácidos graxos polinsaturados ou monoinsaturados.  Estudos mostram que o consumo de ômega 3 é capaz de prevenir o desenvolvimento da resistência a insulina. Os ácidos graxos monoinsaturados também podem ter efeito benéfico na sensibilidade à insulina, com é o caso do azeite e das oleaginosas. As gorduras trans levam a um aumento das concentrações de insulina, independentemente da quantidade ingerida.

A quantidade e tipo de carboidrato ingerido é o principal determinante da glicemia pós-prandial e consequente resposta da insulina. Dietas com grandes quantidades de sacarose estão associadas a altos níveis de insulina de jejum. O controle do índice glicêmico também é importante, já que dietas de baixo índice glicêmico levam a uma melhor sensibilidade à insulina nos adipócitos.
Os antioxidantes podem melhorar a ação da insulina por meio de redução da peroxidação lipídica nas membranas celulares de músculos e aumentar a ligação da insulina com seu receptor. A vitamina E, de fonte alimentar, pode ter efeito protetor. Outras vitaminas que também podem melhorar a sensibilidade deste hormônio são a vitamina C e D.

Alguns minerais estão diretamente relacionados com a melhora da resistência a insulina, entre eles: magnésio, zinco e cromo.

Resumindo como deve ser a alimentação da mulher com a SOP ou até mesmo para aquelas que querem evitar essa síndrome, tenho algumas dicas:
  1. Mantenha o peso saudável, a obesidade é um fator de risco sempre;
  2. Fique longe das bebida alcóolicas, consuma o mínimo possível;
  3. Dê preferência para gorduras boas como as das oleaginosas, sementes, linhaça, chia, azeites;
  4. As proteínas devem ser de boa qualidade, evite os embutidos e carnes processadas;
  5. Aumente o consumo de fibras, ingerindo alimentos na sua forma integral;
  6. Reduza o consumo de carboidratos refinados principalmente o açúcar e a farinha branca. Uma dieta com baixo teor de carboidratos é essencial para a manutenção da glicemia e consequentemente da insulina (ajudando no tratamento da SOP);
  7. Consuma muitos legumes e verduras, de variadas formas;
  8. As frutas são extremamente benéficas, mas fique atenta para não exagerar nas quantidades;
  9. Reduza ao máximo os produtos industrializados, processados, as gorduras trans (presentes em salgadinhos, bolachas recheadas, sorvetes, bolos prontos, etc;
  10. Dê preferência sempre para recipientes de vidro na hora de armazenar os alimentos.
E a orientação principal é: procure um Nutricionista para adequar a sua dieta de forma eficiente!!!


Fonte: Naves, A. Nutrição Clínica Funcional: Obesidade, 2014. Naves, A. Nutrição Clínica Funcional: Modulação Hormonal, 2010. Paschoal, V. Nutrição Clínica Funcional: dos princípios à prática clínica, 2007.

20 de junho de 2017

OS BENEFÍCIOS DO CACAU

Olá Pessoal!

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O assunto hoje é delicioso!! Vamos falar sobre alguns dos benefícios desse alimento tão nutritivo e que pode ser tornar muito gostoso, o cacau, poderoso ingrediente do nosso tão querido chocolate! Entre suas qualidades podemos destacar que ele ajuda na saúde do coração e circulação sanguínea, melhora o humor, combate a fadiga, auxilia a reduzir o colesterol, é bom para a memória e combate a depressão. 

O cacau é originário do México e seu nome científico é Theobroma cacao. A palavra "Theobroma" vem do grego e significa "alimento dos deuses" (não sei para vocês, mas para mim, faz total sentido).

Do fruto do cacaueiro se extraem sementes, que após sofrerem fermentação transformam-se em amêndoas que darão origem a diversos produtos. O chocolate é feito das sementes do cacau, as quais são assadas e moídas. A manteiga de cacau é feita da gordura dessas sementes, que apesar de saturada é protetora do coração. O chocolate é atualmente um dos alimentos mais consumidos no Brasil e no mundo.  

O chocolate que conhecemos no mercado é obtido pela fermentação espontânea das sementes, sem a polpa branca. Depois, as mesmas são secas e posteriormente torradas. O liquido espesso extraído dessas sementes é o licor de cacau (onde se encontram os flavonóides). A ele são incorporados açúcar, leite e gordura vegetal para obter-se o chocolate ao leite. No chocolate amargo o conteúdo de cacau é maior. Nesse tipo de chocolate encontramos substâncias que melhoram a atenção, diminuem a depressão, e causam sensação de bem estar, devido ao aumento da serotonina , dopamina e noradrenalina, promovido pela  feniletilamina. 

O cacau é rico em proantocianidinas, substâncias antioxidantes cardioprotetoras, devido a sua capacidade de reduzir a oxidação do colesterol LDL. Esses potentes antioxidantes neutralizam os radicais livres envolvidos em diversas doenças crônico-degenerativas, como o câncer e outras causadas pelo envelhecimento. Os flavonóides do cacau também podem aumentar a síntese de óxido nítrico pelos vasos sanguíneos, aumentando o fluxo sanguíneo em áreas importantes do cérebro, sendo importante para o tratamento de perdas vasculares associadas com a idade incluindo demência e AVC. Os polifenóis encontrados no chocolate estimulam a circulação cerebral, sendo ótimo para o aprendizado e memória. Quanto mais amargo for o chocolate, maior o teor de cacau e portanto maior quantidade de flavonóides. 

As sementes de cacau apresentam elevado teor de polifenóis, entre 15 a 20% de seu peso seco, considerado um valor alto em comparação a outros vegetais.

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O cacau tem teobromina e metilxantina, substâncias que podem atuar como diuréticas e estimulantes (efeito parecido com a cafeína). Mas elas também relaxam o esfincter do estômago, permitindo o refluxo gástrico para o esôfago, portanto o chocolate deve ser evitado por pessoas com azia e refluxo.

Como toda a fruta, o cacau tem frutose, enzimas (amilase e lipase), vitaminas (betacaroteno, vitamina B1, B3, E e C), minerais (cálcio, zinco, selênio, potássio, cobre, manganês, ferro e magnésio) e aminoácidos (alanina, leucina, lisina, arginina e triptofano). Ele também é fonte de ácidos graxos, entre eles o ácido oléico, ácido esteárico e ácido palmítico. Sendo considerado um alimento energético. 

O chocolate branco nada mais é do que manteiga de cacau, açúcar e leite. A indústria ainda acrescenta gordura vegetal hidrogenada, emulsificantes, lecitina de soja, etc. Comprometendo totalmente o seu valor nutricional. 

O cacau possui uma substância chamada anandamida, que atua em áreas que regulam funções como a dor, humor, memória e controle de apetite. Ela é uma endorfina produzida também pelo nosso corpo em situações de extrema felicidade e após os exercícios físicos. 

As maiores concentrações de flavonóides estão presentes em chocolates acima de 70% cacau. Os flavonóides tem ação antioxidante, anti-inflamatória e protetora cardiovascular. A ação antioxidante pode resultar em redução de radicais livres e outros agentes oxidantes. Além disso, o cacau pode ter ação benéfica na prevenção da formação de placa de ateroma. Estudos mostram associação significativa entre o consumo moderado de cacau e redução de inflamação, assim como redução da hipertensão arterial. 

Todos os benefícios do cacau são resultantes dos compostos biativos nele presentes, sendo o chocolate um alimento que contém cacau em sua composição. Mas é importante ressaltar que o conteúdo de cacau nos diferentes tipos de chocolate varia muito, assim como a concentração de polifenóis presentes em diferentes tipos de cacau.

O alto consumo de chocolate ao leite pode trazer mais efeitos negativos do que positivos, devido a presença de outros macronutrientes como a gordura saturada adicionada e o açúcar. Por isso a recomendação é consumir sempre produtos contendo alta concentração de cacau, acima de 70%, e cuidado com a quantidade, no máximo 30g ao dia.

Para ajudar a incorporar o cacau no dia a dia, deixo aqui uma receita bem energética:

Receita: 
Vitamina energética
Ingredientes:
- 1 banana
- 2 amêndoas
- 1 colher de sopa de cacau em pó
- 200ml de água

Preparo: bata tudo no liquidificador e sirva. 

Um abraço e até o próximo post. 

Fontes: Corona, Jane. Faz bem pra quê, 2016. Chaves, Daniela. Compostos Bioativos dos alimentos, 2015. Dolinsky, Manuela. Nutrição Funcional, 2009.

27 de março de 2017

DIETA CETOGÊNICA PARA A OBESIDADE: AMIGO OU INIMIGO?

Olá Pessoal!


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Muito se fala atualmente em dietas com baixo teor de carboidratos. Durante os meus estudos sobre o assunto separei uma revisão bibliográfica sobre a dieta cetogênica, usada há muitos anos para alguns problemas de saúde e que hoje está sendo discutida a sua utilização na obesidade. O artigo estudado é esse: 

KETOGENIC DIET FOR OBESITY: FRIENDJ OU FOE? Antonio Paoli .Int. J Environ. Res Public Health, 2014.

A obesidade já atingiu proporções epidêmicas e é um forte fator de risco para diversos distúrbios cardiovasculares e metabólicos como hipertensão, diabetes tipo 2, dislipidemia, aterosclerose e câncer. Apesar da constante recomendação das organizações de saúde sobre a importância do controle de peso, muitas vezes esse objetivo falha. A predisposição genética em combinação com um estilo de vida inativo e aumento da ingestão calórica leva ao ganho de peso excessivo. Embora há um consenso de que as mudanças no estilo de vida são essenciais para promover a perda de peso e seu controle, o tipo de exercício e a dieta ideal ainda são discutidos. Por muitos anos os estudos de intervenção nutricional concentram-se em reduzir a gordura da dieta, tendo poucos resultados positivos a longo prazo. Uma das estratégias mais estudadas nos últimos anos para a perda de peso é a dieta cetogênica. Muitos estudos têm demonstrado que este tipo de abordagem nutricional tem uma base fisiológica e bioquímica sólida e é capaz de induzir a uma perda de peso eficaz, além da melhoria dos parâmetros de risco cardiovascular. Esta revisão tem como objetivo discutir a base fisiológica de dietas cetogênicas e sua utilização em casos de obesidade, discutindo pontos fortes e fracos juntamente com os cuidados que devem ser tomados em pacientes obesos.

Em relação a obesidade, a dieta é uma das questões mais controvérsia e muitos tipos de dietas têm sido defendidos para a perda de peso. Mas há pouca evidência científica para recomendar uma dieta sobre a outra. A dieta mais comumente aceita é baseada em níveis reativamente altos de carboidratos e baixo teor de gordura. Essas dietas promovem pequenos resultados na perda de peso e sofrem baixa adesão a longo prazo. Ainda não há dados definitivos sobre quais protocolos dietéticos são mais eficazes, tanto no curto quanto no longo prazo.

A adesão de indivíduos a uma dieta baixa em carboidratos e baixa em gordura é pequena porque a maioria tem demonstrado preferências dietéticas para alimentos ricos em gorduras, altamente processados e contendo açúcar simples. Uma dieta com baixo teor de gordura pode aumentar o consumo de carboidratos refinados, piorando os problemas de peso e facilitando a dislipidemia, principalmente em pacientes com resistência a insulina. 

Embora a dieta cetogênica pode ser útil como parte do tratamento de várias doenças como a epilepsia, ela tem sido usada na obesidade, induzindo uma condição metabólica chamada de "cetose fisiológica". Após alguns dias em jejum ou em uma dieta de carboidratos bem reduzidos (abaixo de 20g/dia) as reservas de glicose do corpo ficam insuficientes para a produção de oxaloacetato (substrato usado no ciclo de Krebs -  principal via metabólica para formação de energia do nosso organismo - e para o fornecimento de glicose no sistema nervoso central). É necessária uma quantidade mínima de oxaloacetato para um funcionamento ótimo do ciclo de Krebs. 

O Sistema Nervoso Central (SNC) não pode usar ácidos graxos como fonte de energia, porque eles não passam pela barreira hematoenceláfica, assim a glicose é a única fonte de energia para o cérebro humano. Após 3 ou 4 dias em jejum em uma dieta com baixo carboidrato o SNC precisa de uma fonte de energia alternativa e isso é obtido da superprodução de Acetil-CoA que leva a produção de corpos cetônicos. Esse processo é chamado de cetogênese e ocorre principalmente na matriz mitocondrial do fígado. O fígado produz corpos cetônicos mas é incapaz de utilizá-los por causa da ausência da enzima necessária para converter o acetoacetato em acetoacetil-CoA. 

A condição de cetose, caracterizada por uma respiração com odor frutado, no caso da dieta cetogênica é uma condição fisiológica (jejum, baixo carboidrato, pós exercício) e não necessariamente um índice de condição patológica. Essa característica acontece devido a acetona formada no processo de cetose. 

Os corpos cetônicos são utilizados pelos tecidos como fonte de energia através de uma via que forma Acetil-CoA, a qual é utilizada no ciclo de Krebs (já explicado acima). A glicemia embora reduzida permanece dentro dos níveis fisiológicos. A glicose é formada a partir de duas fontes: ácidos graxos e glicerol vindos dos triglicerídeos. A importância do segundo aumenta gradualmente durante a condição de cetose. Nos primeiros dias de uma dieta cetogênica a principal fonte de glicose é a via de neoglicogênese dos aminoácidos, com o passar dos dias, a contribuição de aminoácidos diminui enquanto que a quantidade de glicose derivada do glicerol aumenta. De fato, o glicerol (liberado da hidrólise de triglicerídeos)  pode produzir mais de 16% de glicose no fígado durante uma dieta cetogênica e cerca de 60% após alguns dias de jejum completo. O SNC utiliza eficientemente os corpos cetônicos como fonte de energia. 

Não há dúvida que há forte evidência que o uso de dietas cetogênicas para perda de peso é eficaz, no entanto os mecanismos subjacentes aos efeitos da dieta cetogênica é ainda objetivo de debate. A hipótese original de Atikins sugeriu que a perda de peso é induzida através da excreção de corpos cetônicos, mas recentemente surgiram novas hipóteses. Uma delas é que o uso de energia a partir de proteína em dieta cetogênica é um processo "caro" para o corpo e por isso pode levar a um gasto maior de calorias e portanto aumentar a perda de peso em comparação com outras dietas. Durante a primeira fase da dieta 60 a 65g de glicose por dia são necessárias para o corpo, 16% deste é obtido a partir do glicerol, enquanto a maior parte é derivada via gliconeogênese a partir das proteínas de origem alimentar ou tecidual. A gliconeogênese é um processo que exige energia, calculado em mais ou menos 400 a 600 calorias/dia. Não há evidência experimental direta para sustentar esta hipótese, ao contrário, um estudo recente relatou que não houve mudanças no gasto de energia em repouso após uma dieta cetogênica. 

Alguns autores afirmam que os resultados obtidos com dietas cetogênicas podem ser atribuídos com a redução do apetite devido ao maior efeito de saciedade das proteínas ou alguns efeitos sobre o apetite através dos controle hormonal. Outros autores sugerem uma possível ação supressora do apetite diretamente ligada aos corpos cetônicos. A longo prazo a melhora da oxidação das gorduras visualizada pela diminuição do coeficiente respiratório. 

Podemos resumir os mecanismos hipotéticos de efeitos da perda de peso na dieta cetogênica em : 
1. Redução do apetite devido ao maior efeito de saciedade das proteínas, efeitos sobre o controle do apetite pelos hormônios e uma possível ação supressora do apetite direta pelos corpos cetônicos.
2. Redução da lipogênese e aumento da lipólise.
3. Maior eficiência metabólica no consumo de gordura destacada pela redução do coeficiente respiratório em repouso.
4. Aumento dos custos metabólicos da gliconeogênese e efeito térmico das proteínas. 

Pode-se argumentar que a dieta cetogênica tem efeitos benéficos além da simples perda de peso e gordura. Estudos sugerem que as cetonas podem proteger contra alterações cognitivas, comprometimento causado pelo ganho de peso e obesidade. Além disso, há algumas evidências que dietas cetogênicas podem ter efeitos positivos sobre o humor em indivíduos com sobrepeso. Mesmo que durante a fase muito precoce  de uma dieta cetogênica (4 a 5 dias) indivíduos podem às vezes reclamar de letargia, este efeito passa rapidamente e os sujeitos relatam posteriormente um estado de humor melhor. 

Embora a prevalência de resistência a insulina na obesidade não seja conhecida como comum, uma das características primárias da mesma é a diminuição da capacidade do músculo de utilizar a glicose circulante e a capacidade de retardar a produção de glicose hepática. Assim, indivíduos com resistência á insulina tem problema de metabolização de carboidratos dietéticos e irão desviar uma maior proporção desses carboidratos para o fígado onde serão convertidos em gordura (lipogênese) em vez de serem oxidados para energia no músculo esquelético. Os efeitos benéficos das dietas muito baixas em carboidratos em indivíduos obesos, não são apenas a perda de peso em si, mas também a melhora e controle da glicemia, hemoglobina glicada e marcadores lipídicos, bem como o uso reduzido ou retirada de insulina e outros medicamentos em muitos casos. Além disso, em experimentos com dietas normais em quantidades de gordura, indivíduos com resistência a insulina apresentaram marcadores da síndrome metabólica melhores do que dietas com baixo teor de gorduras. 

Outro benefício que tem sido pontuado é relacionado a longevidade. Porém  os dados estão restritos a modelos animais. 

Embora existam muitos estudos que demonstram que uma dieta cetogênica, pelo menos a curto prazo, resulta em maior perda de peso do que as dietas com baixo teor de gorduras, a partir de uma perspectiva de longo prazo o sucesso de uma abordagem nutricional é definida pela quantidade de peso recuperado. Desse ponto de vista há poucos dados disponíveis, em particular no que se refere ao chamado ciclo de peso ou efeito ioiô. Não há uma definição universalmente aceita de manutenção de perda de peso bem sucedida após uma dieta, mas indivíduos que perderam intencionalmente pelo menos 10% de seu peso corporal e mantiveram por pelo menos 1 ano podem ser considerados casos de sucesso. 

O critério de 10% é escolhido pelos seus bem documentados efeitos na melhora dos fatores de risco para diabetes e doenças cardiovasculares, enquanto que o critério de 1 ano foi de acordo com o US Instiute of Medice (IOM). Alguns estudos mostram que a grelina circulante e o apetite subjetivo que acompanham uma dieta hipocalórica foram reduzidos com uma abordagem cetogênica. Além disso, outros estudos mostram que 2 breves períodos de dieta cetogênica separados por períodos mais longos de dieta mediterrânea, levou a bem sucedida perda de peso a longo prazo e melhorias em fatores de risco para a saúde sem efeito de recuperação de peso.

Uma preocupação comum quando se faz dieta cetogênica é com relação ao teor de lipídeos no sangue, pois uma dieta reduzida de carboidratos e alta em proteínas e gorduras pode aumentar o colesterol e triglicerídeos, mas a maioria dos estudos recentes demonstram amplamente que a redução de carboidratos pode realmente levar a benefícios significativos na redução dos triglicerídeos no sangue. Além disso, foram relatados que a dieta cetogênica aumenta o tamanho e o volume de partículas de LDL colesterol, o que reduz riscos cardiovasculares, uma vez que partículas menores tem uma maior aterogenicidade. Há uma razão bioquímica racional atrás dos efeitos da dieta cetogênica na síntese do colesterol endógeno. Uma enzima chave na síntese deste colesterol é a HMGCoa redutase (o alvo das estatinas) que é ativada pela insulina, o que significa que um aumento da glicose no sangue e consequentemente dos  níveis de insulina levará a um aumento endógeno de colesterol. Assim uma redução dos carboidratos na dieta juntamente com colesterol levará a inibição na biossíntese do mesmo. 

Outra preocupação refere possíveis efeitos negativos para os rins. Sugere-se que altos níveis de nitrogênio, a excreção durante o metabolismo das proteínas pode causar aumento da pressão glomerular e hiperfiltração. Em indivíduos com a função renal intacta, níveis mais altos de proteínas na dieta causaram adaptações morfológicas, mas sem efeitos negativos. É importante, no entanto, atenção a indivíduos com insuficiência renal, transplante renal e indivíduos com síndrome metabólica ou outras condições relacionadas, pois estes podem ser mais susceptíveis ao efeito hipertensivo dos aminoácidos. 

Quanto aos efeitos globais da dieta cetogênica na saúde há diferentes opiniões. Em uma revisão baseada em estudos observacionais, sugere-se um possível efeito nocivo das dietas baixas em carboidratos e ricas em proteínas aumentando o risco de mortalidade por todas as causas, mas não houve efeito sobre a mortalidade relacionada a doenças cardiovasculares. Por outro lado, um grande estudo mostra que o aumento no teor de proteína e uma redução no índice glicêmico melhora a manutenção da perda de peso sem diferença nos efeitos adversos. Não há efeitos negativos para a saúde óssea.

A dieta cetogênica é principalmente uma dieta de redução de carboidratos com quantidades normais de proteínas que produz um estado metabólico peculiar. Não é dieta da proteína! Alguns estudos afirmam que a dieta cetogênica poderia afetar negativamente o metabolismo da glicose, mas nos estudos os pesquisadores realizaram a medição da glicose imediatamente após a dieta cetogênica. É razoável que depois de um período de dieta muito baixa em carboidratos haveria um aumento da glicose sensivelmente, por esta razão é aconselhável uma fase de transição de cetogênica para dieta normal.

Nos seres humanos os efeitos de uma dieta cetogênica muito prolongada são, até agora, não muito investigados, por isso este tipo de dieta pode ser usada com segurança por um período limitado (de 3 semanas à alguns meses)para estimular a perda de gordura, melhorar o metabolismo e ajudar a transição para um estilo de vida mais saudável.

Concluindo: um período de dieta reduzida em carboidratos pode ajudar a controlar a fome e pode melhorar o metabolismo oxidativo da gordura, portanto reduzir o peso corporal. Além disso, novos tipos de dietas cetogênicas, usando refeições que imitam alimentos ricos em carboidratos poderiam melhorar a continuidade da dieta. Deve-se dar atenção à função renal e à fase de transição da cetogênica para uma dieta normal, que deve ser gradual e bem controlada. Este tipo de dieta deve durar no mínimo 2 a 3 semanas (para induzir a cetose fisiológica) e no máximo 3 a 12 meses. 

Este é apenas um artigo, o qual resolvi compartilhar. Toda a dieta deve ser feita somente com acompanhamento de NUTRICIONISTA. Essa poderá ser uma estratégia adotada, por um período, jamais para o resto da vida, exceto em alguns casos de problemas sérios de saúde. Mas quem define se é ou não a estratégia adequada para cada pessoa é o profissional capacitado para isso: NUTRICIONISTA! 

Um abraço e até o próximo post!