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21 de janeiro de 2022

TIRE O AÇÚCAR DA SUA VIDA!

 


Os açúcares de uma maneira em geral não contribuem para a saúde, são chamados de calorias vazias, ou seja, tem calorias, mas tem poucos nutrientes ou quase nenhum, como é o caso do açúcar branco refinado. O açúcar estimula o consumo excessivo por meio de caminhos bioquímicos que induzem o cérebro a sensação de prazer e recompensa. Isso cria uma relação psicológica pouco saudável como alimento e gera hábitos difíceis de abandonar, levando a um consumo ainda maior e à dependência do açúcar.

Além disso, seu consumo excessivo leva à desequilíbrios hormonais e metabólicos, que, por sua vez, provocam inflamação sistêmica e distúrbios como resistência à insulinadiabetesobesidade e maior risco de desenvolvimento de outras doenças, como cardiovasculares e hipertensão.

açúcar também afeta o delicado equilíbrio da nossa microbiota intestinal, alimentando as bactérias patogênicas, que se proliferam e por competição reduzem a quantidade de boas bactérias, ocasionando problemas digestivos e intestinais.

A solução é substituir os açúcares por adoçantes? Não!! Os adoçantes artificiais (sucralose, aspartame, sacarina) e até os naturais (xilitol, estévia), também podem suscitar disfunção metabólica contínua. Na verdade, as pessoas que substituem o açúcar por adoçantes, além de não emagrecerem, não melhoram o equilíbrio hormonal. Algumas pesquisas sugerem que os adoçantes artificiais podem ser tão prejudiciais para as bactérias intestinais quanto o açúcar.

E do ponto de vista psicológico, os adoçantes artificiais não reduzem o desejo por açúcar, pelo contrário, contribuem para a manutenção do ciclo de vontade de comer – recompensa e prazer – consumo excessivo.

Para muitas pessoas a vontade de comer doce é realmente um vício, e isso acontece por alguns motivos. O primeiro deles está relacionado a ativação excessiva da região da língua onde sentimos esse sabor, isso faz com que a sensibilidade ao doce se reduza e com isso buscamos o doce, cada vez mais doce. Outro motivo é que algumas áreas do nosso cérebro, relacionadas ao prazer, são ativadas quando ingerimos açúcar, liberamos inclusive a serotonina. O problema é que logo depois ocorre uma queda, o que pede mais um estímulo, e mais um, mais um… e a pessoa se torna viciada nessa sensação de prazer. O maior erro para quem é realmente viciado, é tentar substituir o doce por uma receita fit, light, diet… O único jeito de se livrar de um vício é tirá-lo, por mais difícil que seja. É importante passar por um período de abstinência do sabor, isso trará um autoconhecimento sobre a relação emocional com o doce. Nem toda a vontade do doce poderá ser atendida, haverá momentos que teremos que simplesmente deixar essa vontade passar.

Se você precisa perder peso, uma boa estratégia é eliminar o açúcar da sua vida! Calma! Não estou dizendo para você não comer um doce nunca mais… estou falando para não adoçar as coisas! Não adoce mais nada! Não adoce chás, sucos, nem o seu café com leite. Aquele cafezinho do dia a dia, tome puro! Deixe para comer um doce quando realmente valer a pena, se ele for o melhor doce do mundo inteiro, caso contrário, diga não! Faça isso por 30 dias e depois me conte os resultados. Você vai se surpreender não só com os quilos a menos na balança, mas principalmente na mudança do seu paladar. O açúcar nem fará mais falta na sua vida e os alimentos terão um sabor muito mais gostoso, como ele realmente é, e não mascarado (seja pelo açúcar ou adoçante). Experimente!!

Um abraço e até o próximo post! 

23 de outubro de 2019

NÃO TENHA MEDO DO ARROZ



Olá pessoal!

Tenho certeza que muita gente gostará do assunto de hoje: ARROZ!

O arroz é um cereal muito típico da nossa culinária. Muitas pessoas tem receio de consumi-lo, por medo de engordar. Mas com bom senso, sem exagerar na quantidade e fazendo uma boa escolha, ele pode fazer parte de uma dieta saudável e gostosa. Vamos conhecer os tipos de arroz que temos hoje no mercado e suas propriedades:

Arroz branco ou polido ou agulha: é o arroz mais comum. Fonte de carboidratos e aminoácidos essenciais. Não é um dos tipos mais nutritivos de arroz, pois devido à retirada das camadas externas possui menor quantidade de vitaminas e minerais. Mesmo sem as camadas onde se encontram a maior concentração de nutrientes, o arroz polido conserva algumas proteínas e vitaminas (complexo B) porque as mantém no endosperma. Mas sua maior fonte é de carboidrato, especificamente o amido, que faz deste alimento uma grande fonte de energia.

Arroz parboilizado: contém as mesmas propriedades do arroz branco, mas com um teor maior de vitaminas e minerais, porque passa por um tratamento hidrotérmico (é submetido à pressão com água fervente antes do beneficiamento), que cozinha parcialmente o grão com a casca, isso faz com o os nutrientes (vitaminas e minerais) migrem para o interior do grão, aumentado o valor nutritivo, concentrando, por exemplo, as vitaminas do complexo B.

Arroz integral: é o arroz que mantém a camada externa do grão, conservando suas principais propriedades. Rico em carboidratos, proteínas, vitaminas do complexo B, vitamina E, vitamina A, ferro, magnésio, fósforo, cálcio, manganês e fibras. É o grão que se remove apenas a casca.
Arroz cateto ou japonês: são grãos curtos, curvados, que tem grande quantidade de amido, a sua versão integral conserva as mesmas propriedades citadas acima. Usado na culinária japonesa e bom para fazer doces a base arroz.

Arroz selvagem: Ele na verdade não é um arroz verdadeiro, é uma gramínea aquática de longas sementes escuras. É uma boa fonte de minerais, entre eles potássio e fósforo, e de vitaminas do complexo B: B1(tiamina), B2(riboflavina), e B3(niacina). Apresenta menor quantidade de amido e lipídeos, e maior conteúdo de um aminoácido chamado lisina. Tem baixo índice glicêmico.

Arroz vermelho: rico em fibras, compostos fenólicos, vitaminas do complexo B, ferro e zinco. Tem um poder antioxidante importante.

Arroz malekizado: é o grão com a casca, macerado em água fria por três dias e submetido a vapor à alta temperatura. Posteriormente é desidratado e descascado e são retirados a cutícula e o germe. Nesse processo ocorre a transferência dos produtos da cutícula para o interior do grão, preservando os nutrientes, que serão os mesmos do arroz polido.

Arroz arbóreo: é uma variedade de arroz italiano com grãos grossos, redondos e brancos. Tradicionalmente usado no preparo de risotos. Possui as mesmas propriedades do arroz polido.
Arroz negro: contém mais proteínas, mais fibras do que o arroz integral. É rico em ferro e compostos fenólicos que são antioxidantes.

O arroz é o principal alimento de quase metade da população mundial. Ele é uma excelente fonte de carboidratos, a sua versão integral pode agregar muitos nutrientes (vitaminas, minerais e fibras) e compostos bioativos que auxiliam o funcionamento do intestino, ajudam a reduzir o colesterol e controlam a velocidade que a glicose gerada pelo carboidrato vai para o sangue. Além disso, quase todas as variedades de arroz (exceto os que são polidos) contém uma quantidade muito boa de fibras, entre elas: celulose, hemicelulose, pectina, alginato, mucilagem, lignina e amido. As fibras são excelentes não só para o funcionamento do intestino, mas também para prevenção de alguns tipos de câncer, como o gástrico e o de cólon. O arroz não tem glúten e por isso é uma boa opção para os celíacos ou intolerantes ao glúten. Quando consumido junto com grãos fornece uma quantidade excelente de aminoácidos, sendo importante, por exemplo, para os vegetarianos e veganos.

A quantidade de arroz ideal é individual, pois ela depende de muitos fatores, tais como: problemas de saúde, objetivos em relação à composição corporal, atividade física, cultura, hábitos alimentares, etc.

A única restrição efetiva para o consumo do arroz é para quem é alérgico ao mesmo. Em dietas de restrição de carboidratos ele deve ser evitado ou consumido em doses de acordo com a estratégia elaborada pelo nutricionista.

A melhor forma de preparação é a tradicional: refogar os temperos (alho e cebola, por exemplo), adicionar o arroz e posteriormente a água. Para o arroz branco 2 xícaras de água para 1 de arroz. Já o integral demora mais para cozinhar e devemos colocar a proporção de 3 xícaras de água para cada xícara de arroz.

As preparações salgadas que podem levar o arroz na sua composição são diversas: arroz refogado, arroz a grega, sopas, risotos, bolinhos, tortas.

Entre os doces que podem ser preparados com o arroz, encontramos: arroz doce, mingaus, doces orientais, sua farinha pode ser utilizada para fazer bolos e vitaminas. O cereal também pode ser utilizado para fazer bebidas como as aguardentes de saquês.

E para incentivar você a colocar esse cereal no prato de forma nutritiva, deixarei uma receitinha bem gostosa:

ARROZ COLORIDO
Ingredientes:
- 1 col. sopa de azeite de oliva extra virgem
- 2 dentes de alho picados
- 1 cebola picada
- 1 xícara de arroz cateto integral
- 3 xícaras de água
- sal a gosto
- 1 colher de sobremesa de cúrcuma
- 1 cenoura ralada
- 1 abobrinha ralada
- ½ xícara de chá de salsinha e cebolinha picadas.

Preparo: refogue a cebola e o alho no azeite até dourar, acrescente o arroz e misture. Adicione a água e quando ferver adicione o sal e a cúrcuma. Abaixe o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar por aproximadamente 30 minutos ou até o arroz estar bem cozido, acrescentando água se for necessário. Em outra panela refogue a cenoura e a abobrinha com um pouco de azeite até ficarem al dente. Misture a salsinha e a cebolinha. Misture os legumes com o arroz e sirva. Rendimento: 4 porções.

É importante sempre que possível escolher as versões integrais deste alimento, para que todos os nutrientes que trazem benefícios para a nossa saúde sejam consumidos.

Um abraço e até a próxima!

23 de setembro de 2015

CHÁ VERDE E EMAGRECIMENTO

Olá Pessoal!

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Li um artigo essa semana e achei interessante compartilhar, pois fala de uma planta que foi tema do meu TCC em uma das minhas pós graduações, a Camelia sinensis, o famoso chá verde. Esse artigo me chamou a atenção por relacionar essa planta ao emagrecimento, o qual é o objetivo de 9 entre 10 dos pacientes que atendo em meu consultório.

A obesidade vem aumentando de maneira assustadora. Ela é uma doença crônica que se caracteriza por um acúmulo excessivo de gordura corporal, a ponto de comprometer a saúde física e psicológica da pessoa, além de reduzir a expectativa de vida. Tem vários posts aqui no blog falando sobre vários aspectos da obesidade.

Devido a gravidade deste problema de saúde pública, cada vez mais pesquisas são realizadas sobre os alimentos que auxiliam na prevenção e tratamento da obesidade e suas consequências à saúde.

Vários estudos mostram que o chá verde (Camelia sinensis) tem uma alta concentração de flavonóides conhecidos como catequinas, capazes de auxiliar a redução do peso corporal, gordura corporal e ajudar na prevenção e tratamento da obesidade e doenças associadas. 

Na folha desta planta destaca-se a presença de água, proteínas, glicídeos, sais minerais, vitaminas (ácido ascórbico e algumas do complexo B), cafeína, teobromina e teaflavina, derivados polifenóicos. Esses componentes estão presentes na folha fresca, quando fazemos a infusão, esses valores caem drasticamente.

Alguns estudos em humanos demonstram que uma mistura de componentes do chá verde e cafeína aumenta a termogênese e a oxidação lipídica, promovendo um gasto energético maior. Além disso, as catequinas do chá verde são capazes de reduzir o peso corporal e gordura visceral.

As substâncias presentes no chá verde melhoram o perfil lipídico, diminuindo a concentração de colesterol total, LDL e triglicérides

O polifenol em maior quantidade no chá verde, a epigalocatequina, pode estimular a termogênese e oxidação lipídica. Esses efeitos termogênicos resultam das interações entre as catequinas, cafeína e noradrenalina. A catequina inibe a COMT, a qual é a enzima responsável por degradar noradrenalina na fenda sináptica, o que prolonga seu efeito. E a cafeína inibe o complexo enzimático fosfodiesterase, que degrada AMPc, prolongando seu efeito na célula. O AMPc é o segundo mensageiro intracelular para termogênese mediado por noradrenalina. Essa interação sinérgica resultaria em um aumento do efeito prolongado da noradrenalina na termogênese. 

O chá verde também possui propriedades anti-angiogênicas que poderiam prevenir o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade. Além disso, o sistema nervoso simpático está envolvido na regulação da lipólise e a inervação simpática do tecido adiposo branco pode ter uma papel importante na regulação geral da gordura corporal total.

Um estudo feito em 2003 avaliou a relação do consumo habitual de chá verde, o percentual e a distribuição da gordura corporal em 1103 indivíduos. 43% destes eram consumidores habituais de chá e apresentaram um menor percentual de gordura corporal e uma menor relação cintura-quadril do que os que não consumiam chá. Essa relação mostrou-se maior entre os indivíduos que consumiam habitualmente o chá verde por mais de 10 anos.

O efeito supressor do chá verde na gordura corporal pode ser resultado do aumento no gasto energético, principalmente através da ativação e estimulação do B-adrenoreceptor no tecido adiposo marrom.

As catequinas podem corrigir os parâmetros bioquímicos do metabolismo lipídico (concentração de colesterol total, triglicerídeos e LDL), gordura visceral e atividade de enzimas antioxidantes.

Essa redução de triglicerídeos no fígado e gordura visceral pode ser explicada pelo aumento da B-oxidação do ácido graxo no fígado e diminuição da atividade da enzima ácido graxo sintetase. 

O chá verde reduz o consumo celular de glicose acompanhado por uma diminuição da translocação do transportador de glicose, o GLUT 4 no tecido adiposo, enquanto estimula o consumo celular de glicose no tecido muscular esquelético. Ele também pode reduzir a absorção de glicose e gordura pela inibição de enzimas gastrointestinais envolvidas na digestão de nutrientes. 

Os principais meios de ação para a redução do peso e gordura corporal seriam o aumento da oxidação lipídica, aumento do gasto energético, diminuição da diferenciação de adipócitos, morte celular de adipócitos maduros e diminuição da absorção lipídica. 

Os mecanismos moleculares pelos quais o chá verde e seus componentes exercem esse efeito parecem variados e necessitam de constantes investigações. 

Além do emagrecimento em si, o chá verde também é eficaz na prevenção e tratamento de doenças associadas a obesidade (diabetes, dislipidemias, doenças cardiovasculares) através da redução de triacilglicerol, colesterol total, LDL oxidada e absorção de glicose. 

Mas ainda há incertezas com relação a quantidade a ser consumida para que ocorram todos esses efeitos. A individualidade de cada um deve ser sempre considerada. Portanto se você pretende começar a tomar chá verde para emagrecer, consulte o seu nutricionista antes para saber qual é a quantidade ideal. Além disso é importantíssimo lembrar que não é todo mundo que pode tomar esse chá... pessoas com problema de tireoide ou em tratamento de câncer, por exemplo, devem passar longe dele. Só um profissional habilitado (ou seja um Nutricionista) poderá te auxiliar nessa escolha.

Um abraço e até o próximo post.

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Fonte: Freitas, H. C. P., Navarro, F. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, 2007.

8 de setembro de 2015

OS PODERES DA CHIA

Olá Pessoal!
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Faz muito tempo que não escrevo a respeito de algum alimento específico. Por isso, hoje resolvi falar sobre a Chia, alimento presente nas minhas prescrições e no meu dia a dia devido aos seus maravilhosos benefícios. 

A chia (Salvia hispanica L.) é uma semente antiga utilizada pelos maias e astecas como alimento para aumentar a resistência física. É uma planta herbácea que pertence a família Lamiaceae.

Essa sementinha possui elevado valor nutricional com altos teores de ômega 3 (ácido alfa-linolênico) e ômega 6 (ácido linoleico), já falei bastante sobre eles em outros posts. Também é rica em proteínas, antioxidantes e fibras. Sua composição química basicamente é: lipídeos, proteínas, fibras, Niacina, Riboflavina, Tiamina e vitamina A. Além de cálcio, fósforo, boro, magnésio, manganês, zinco, ferro e potássio. 

Há evidências epidemiológicas que as dietas que promovem a saúde são ricas em fibras alimentares e ômega 3; além de serem pobres em gordura saturada, gorduras trans e excesso de colesterol. 

As sementes de chia são promissoras como fonte de antioxidantes, devido a presença de polifenóis. 

De acordo com alguns estudos o seu consumo pode impedir o início de dislipidemias e resistência a insulina, claro que acompanhado de uma alimentação adequada e exercícios físicos. Ela sozinha não faz milagres. 

Substituir ingredientes menos nutritivos por outros de maior valor nutricional, sem comprometer o sabor dos alimentos é uma prática importante para se constituir uma dieta saudável. A chia é particularmente interessante dentro dessa lógica, pois, além de melhorar o valor nutricional de preparações, apresenta grande capacidade de reter água e óleo, características que fazem dela uma candidata natural como aditivo para produtos de panificação e como emulsão alimentar. 

A chia é cultivada comercialmente no México, Bolívia, Argentina, Equador e Guatemala. Em alguns lugares aqui no Brasil já podemos encontrá-la. Pode crescer até 2 metros e o rendimento médio é de 250g de semente por pé, sendo a melhor época de produção as estações onde as chuvas são espaçadas e as temperaturas são maiores. 

As sementes são utilizadas como suplementos nutricionais, bem como na fabricação de alimentos como barras, cereais matinais, pães, biscoitos. 

Possui uma quantidade significativa de lipídeos (cerca de 40% do peso total da semente, sendo quase 60% como ômega 3) e também fibras (mais de 30% do peso total), ambos componentes importantes para a nossa dieta. Em sua composição também encontramos proteínas de alto valor biológico, minerais e antioxidantes naturais como tocoferóis e polifenóis. Entre os principais compostos fenólicos encontrados estão o ácido clorogênico, ácido caféico, quercetina e kaempferol, os quais nos protegem contra algumas doenças como as cardiovasculares e câncer. 

O consumo de ômega 3 ajuda na redução da viscosidade do sangue. Esse efeito favorece a microcirculação e possibilita maior oxigenação dos tecidos. O consumo frequente de alimentos ricos em ômega 3 reduz os níveis de colesterol e triglicerídeos do sangue, ajuda a reduzir a pressão arterial, havendo associação a menores índices de doenças cardiovasculares. 

A partir da ingestão do ômega 3 há a biossíntese no organismo dos ácidos graxos EPA e DHA, os quais desempenham funções fisiológicas e metabólicas diferentes e igualmente importantes. O EPA se relaciona principalmente com a proteção de saúde cardiovascular e o DHA é considerado fundamental para o desenvolvimento do cérebro e do sistema visual, o que o associa à saúde materno infantil. 

Além de seu papel nutricional na dieta, os ácidos graxos ômega 3 podem ajudar a prevenir e/ou tratar uma variedade de patologias incluindo doenças cardíacas, câncer, artrite, depressão, mal de alzheimer. 

Assim como peixes são considerados as mais importantes fontes de ômega 3 de origem animal, a chia e a linhaça são consideradas as principais fontes desse ácido graxo de origem vegetal. 

A alimentação deve ser rica em fibras, proteínas e ácidos graxos ômega 3, os quais podem ser adquiridos por aumento de consumo de sementes, e a chia é uma alternativa promissora para o aumento desses componentes na dieta, visto que ela contém os três.

Os radicais livres oxidam vários compostos como proteínas, ácidos nucleicos, DNA e lipídeos. Podendo levar a formação de doenças degenerativas. O interesse de estudo nos compostos fenólicos tem aumentado muito, devido principalmente a habilidade antioxidante dessas substâncias em sequestrar radicais livres, os quais são prejudiciais à saúde humana. 

Os compostos fenólicos têm sido considerados os mais importantes grupos do reino vegetal e são sintetizados durante o desenvolvimento normal da planta, bem como em resposta a diferentes situações, como estresse e radiação UV. O poder antioxidante dos compostos fenólicos está relacionado a sua capacidade de quelar metais, inibir a lipogênese e capturar os radicais livres. A semente de chia contém uma quantidade de compostos fenólicos com potente atividade antioxidante devido a substâncias como mirecetina, quercetina, kaempferol, ácido cafeico e ácido clorogênico. 

A chia tem um grande potencial dentro da indústria alimentícia, pois sua oxidação é mínima, comparada a outras fontes de ômega 3, como a linhaça, que apresenta uma decomposição mais rápida devido a ausência de antioxidantes.

O conteúdo de proteína da chia é mais elevado que o milho, trigo, arroz, aveia, cevada e amaranto. Embora ela não seja cultivada comercialmente como fonte proteica, o seu perfil de aminoácidos não tem fatores limitantes da dieta do adulto. O percentual de proteínas (19 a 23%) da semente de chia é parecido ao da lentilha (23%), ervilha (25%) e grão de bico (21%). Ela contém todos os aminoácidos essenciais necessários para a nutrição humana. 

A alta quantidade de fibras da semente de chia (34,6%) pode aumentar a saciedade e diminuir o consumo de energia (carboidratos...).

Quando colocadas na água elas formam um gel transparente, uma mucilagem. Esse gel formado quando ingerido, produz uma barreira física que separa as enzimas digestivas dos carboidratos, promovendo uma lenta conversão destes em açúcar, consequentemente uma digestão e absorção mais lenta. Além disso, mantém os níveis de açúcares no sangue, sendo útil na prevenção e controle do diabetes. Devido as essa mucilagem a chia pode ser usada como fibra dietética (solúvel).

Resultado de imagem para figuras chiaDiante do crescimento da atenção mundial aos alimentos funcionais (aqueles que agregam mais benefícios além da sua principal função) e a onda de mudanças no estilo de vida para um estilo mais saudável, novos alimentos que antes não faziam parte do nosso dia a dia passam a ter mais espaço, mais atenção e mais estudos científicos. Nós só temos a ganhar!!

Um abraço e até o próximo post!



Fonte: Coelho, M.S., Mellado, M. Composição química, propriedades funcionais e aplicações da semente de chia (Salvia hispanica L.). Brazilian Journal Of Food Technology, 2014.
The Promissing Future of Chia. Journal of Biomedicine and Biotechnology, 2012.


25 de março de 2015

BENEFÍCIOS DO CACAU

Olá pessoal!
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A páscoa está chegando e eu não poderia deixar passar em branco. No ano passado fiz um post com algumas dicas de como passar por essa época do ano tão gostosa sem perder a linha. Vale a pena ler de novo!! Este ano resolvi falar um pouco sobre os benefícios do principal ingrediente que faz parte dos ovos de páscoa: O CACAU (Theobroma cacao L.)! 


O problema do chocolate (seja na Páscoa ou não) não é o cacau, e sim o que vem agregado, como as gorduras e o açúcar. Mas dá sim para aproveitar essa delícia e ainda ter os benefícios de um alimento tão maravilhoso como o cacau. O mais importante de tudo é ter moderação. Não vale comer um ovo inteiro de uma vez só!!

O cacau é fruto do cacaueiro, do qual se extraem as sementes, que após sofrerem fermentação, transformam-se em amêndoas, das quais são produzidos o cacau em pó e a manteiga de cacau. Posteriormente, com processamento dessa matéria prima obtém-se o chocolate.

O chocolate é feito a partir da mistura dos derivados do cacau, com outros ingredientes. Ele deve conter no mínimo 25% de sólidos totais de cacau, com exceção do chocolate branco, que contém no mínimo 20%. Por isso as opções que temos hoje em dia de chocolates acima de 50% são melhores para a nossa saúde, pois terão mais cacau e menos ingredientes adicionais.

O cacau é riquíssimo em um grupo de antioxidantes conhecido como flavonóides, que pertencem a uma classe de fitoquímicos chamados de polifenois. Nele são encontrados também  proteínas, carboidratos, gorduras (ácidos graxos saturados - ácido palmítico e esteárico, ácido oléico monoinsaturado), minerais (magnésio, cobre, potássio, ferro, cálcio, manganês), fibras, vitaminas do complexo B (Niacina e Tiamina), teobromina e cafeína. 

As procianidinas encontradas no cacau possuem efeitos benéficos a saúde, entre eles a elevação da atividade antioxidante, redução das concentrações de LDL (colesterol ruim), modulação da atividade das plaquetas , ou seja, elas são importantes para manutenção da saúde cardiovascular. Ajudam também nosso sistema imunológico! Além delas são encontradas as catequinas. Ambas possuem importante papel na inibição de processos inflamatórios e vasculares.

Os flavonóides podem aumentar a síntese de óxido nítrico pelos vasos sanguíneos, aumentando o fluxo sanguíneo em áreas importantes como cérebro, o que sugere um potencial tratamento de perdas vasculares associadas à idade, incluindo AVC e demência.

Comparando a quantidade de flavonóides encontrada nos três tipos principais de chocolates, o amargo apresenta maiores concentrações do que o ao leite, já o branco não apresenta quase nada, portanto não é a melhor opção a se escolher. 

O cacau também é conhecido pelo seu conteúdo de fitoquímicos, como a metilxantina e a teobromina, as quais tem efeito estimulante semelhante ao da cafeína. Alguns estudos sugerem que o cacau estimula a produção de serotonina - a qual melhora o humor, ajuda a combater a depressão e a ansiedade, assim como aumenta a sensação de prazer e bem estar.

O cacau é estimulante do sistema nervoso central e do músculo cardíaco. É também diurético e broncodilatador. Nesse caso ele é utilizado na forma de fitoterápico (em pó).

Importante salientar que sempre o chocolate com mais cacau será melhor. A quantidade boa para se ter os benefícios é de 30g ao dia no máximo!

Resultado de imagem para pascoaUm abraço, uma ótima Páscoa para nós e até a próxima!


(Fonte: Dolinsky, 2009; Panizza, 2012, Pascoal, 2008)